O processo de venda de 90% das ações da Nova SAF do Vasco já tem data e regras definidas. Segundo informações recebidas pelo DPV, a 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro marcou para o dia 25 de setembro de 2026, às 14h, a audiência do procedimento competitivo. Diferente de um leilão convencional, a disputa ocorrerá por meio de propostas fechadas apresentadas pelos interessados, sem lances sucessivos em tempo real.
A Almirante Participações entra no certame na condição de stalking horse, detendo a proposta de referência. Isso assegura ao grupo o direito de cobrir qualquer oferta superior apresentada por concorrentes, por meio do right to match ou right to top. O lance inicial da Almirante prevê o aporte de R$ 500 milhões divididos em cinco parcelas anuais, direcionados exclusivamente ao futebol da Nova SAF, enquanto a quitação dos credores da Recuperação Judicial corre em paralelo.
Para entrar na disputa, potenciais compradores enfrentarão exigências severas. Será necessário apresentar garantia bancária para todo o passivo da Recuperação Judicial, depositar previamente cerca de R$ 27 milhões em conta judicial e aderir ao regime de arras — que confisca o sinal se o vencedor desistir por vontade própria. Além disso, as regras impõem um lock-up de 10 anos, obrigando o comprador a liquidar obrigações ou repassar as garantias em caso de revenda futura.
Como garantias da proposta-base, a Almirante apresentou notas promissórias, fiança e o aval pessoal de Marcos Faria Lamacchia e da Crefipar. Há também uma conta vinculada com saldo equivalente a três meses de obrigações tributárias e da Recuperação Judicial, sob pena de multa de 60% por descumprimento de aporte financeiro. Caso um terceiro vença e a Almirante decline de igualar a oferta, o novo financiamento DIP segue inalterado.
Este movimento é crucial para o futuro financeiro e desportivo do Vasco, pois estabelece uma blindagem rígida contra propostas inconsistentes e assegura um fluxo robusto de investimentos no futebol. Com a validação final dos valores pelos auxiliares da Justiça para evitar preço vil, a torcida cruzmaltina pode esperar uma transição transparente e financeiramente sólida, capaz de recolocar o clube nos trilhos da competitividade.


