O Ministério Público do Rio de Janeiro está investigando a venda de ingressos acima da capacidade permitida no Maracanã em partidas administradas por Flamengo e Fluminense. Segundo informações recebidas pelo DPV, a promotoria identificou divergências em laudos e planilhas desde o ano passado, levantando suspeitas de um esquema de desvio financeiro que pode chegar a R$ 1 milhão por mês devido a entradas não registradas nos borderôs oficiais.
A análise detalhada de 16 partidas revelou superlotação em setores como o Norte e as cadeiras cativas (Oeste Superior). Em jogos do Flamengo, houve comercialização além do limite em todas as 12 ocasiões analisadas, com o público total superando a capacidade máxima do estádio de 73.609 pessoas em metade delas. No Fluminense, houve oferta acima do permitido, embora o público limite não tenha sido superado nos cinco jogos verificados.
As investigações também apontam falhas graves de segurança. As planilhas oficiais com dados defasados podem ter gerado policiamento insuficiente para o público real. Além disso, as catracas controladas pela Fla-Flu Serviços não bloqueavam novos acessos após o limite ser atingido. Há ainda suspeita de fraude documental na venda de ingressos extras para o setor de cadeiras cativas, cuja comercialização é proibida.
O caso gera um impacto direto no cenário do futebol carioca, uma vez que as irregularidades podem violar o artigo 147 da Lei Geral do Esporte. A punição prevista em caso de condenação inclui a perda de mando de campo por até seis meses para os clubes envolvidos, o que alteraria diretamente o panorama das competições disputadas pelo Vasco. O Fluminense nega as irregularidades, enquanto o Flamengo não se manifestou e a Ferj prometeu responder ao Ministério Público.


